Domingo, 27 de Novembro de 2022

Movimentos sociais voltam a invadir o Incra
Protestam contra o fim da reforma agrária e reivindicam crédito e infraestrutura

Trabalhadores rurais do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem terra – MST invadiram várias superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra nesta semana. Já se verificou o fato em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará, São Paulo, Bahia, Paraíba e Espírito Santo. Eles cobram explicações do governo acerca da inércia da reforma agrária no atual governo, entre outros temas, como crédito e infraestrutura nos assentamentos. A denúncia do “falecimento” da reforma agrária colaborou para provocar tais reações, ao revelar que este pode ser o pior ano para a reforma agrária de todo o período democrático.

Em Brasília, cerca de 300 pessoas ocuparam hoje o prédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Além do MST, estavam integrantes do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Camponês Popular (MCP), da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), do Sindicato da Agricultura Familiar (Setraf), entre outros. A manifestação faz parte do Dia Mundial da Alimentação e coincide com a realização da Conferência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável – Condraf, onde vários representantes de movimentos estão reunidos.

Nesta segunda, o ministro do Desenvolvimento Agrário flexibilizou as regras que ele mesmo havia imposto sobre os processos de desapropriação para fins de reforma agrária, o que demonstrou que as portarias de fevereiro tiveram a clara intenção de não deixar os processos fluírem e, consequentemente, emperrar a obtenção de terras e a reforma agrária, expondo uma decisão de governo.

Por KASSIO ALEXANDRE BORBA

Coordenador Executivo