Domingo, 27 de Novembro de 2022

PFA se destaca com projeto de captação de água de chuva em assentamentos
Projetos foram executados em Cáceres, MT

O Engenheiro Agrônomo Samir Curi, Perito Federal Agrário lotado na Unidade Avançada de Cáceres, Mato Grosso, destacou-se pela implantação de projetos de captação de água da chuva em 7 assentamentos da reforma agrária, com cerca de 360 famílias. É uma área de segurança nacional (faixa de fronteira com a Bolívia) e agrega parte do pantanal.

Apesar de o estado de Mato Grosso ser rico em recursos hídricos, para muitas pessoas receber água em casa ainda é um sonho distante. Na área dos assentamentos, em Cáceres, há duas escolas do campo com cerca de 300 alunos que passam pela constante falta de água. Samir conta que predomina na região a rocha calcária. No tipo de solo oriundo dessa matriz, a chuva penetra e se distribui com facilidade. O Rio Jaru é o mais próximo, mesmo assim fica a cerca de 25 km dos assentamentos. “A natureza desafiou o homem”, diz o PFA. “As pessoas acham que no meio rural a água está em abundância. Ela está no rio, está no sub-solo, mas geralmente não está acessível às famílias. Nós temos problemas de salinidade excessiva e em sua maioria as fontes de água não são adequadas, apresentando contaminação por microrganismos patogênicos, sais e agrotóxicos”, enfatizou Samir.

Para solucionar este problema, a equipe de Samir passou a estudar a aplicabilidade de várias tecnologias sociais, como cisternas, barraginhas e lago de múltiplo uso (projeto da Embrapa). São soluções simples, sustentáveis e amparadas pelo Programa Nacional de apoio a captação de água de chuva. O projeto de Acesso à Água de Chuva reproduz no estado de Mato Grosso a experiência aplicada no nordeste brasileiro.

Uma das alternativas encontradas foi o uso do sistema de cisternas individuais, que aproveitam a água da chuva para encher um reservatório com capacidade de oito mil litros, suficiente para abastecer as famílias no meio rural no tempo da seca, considerando uma média de 10 litros por pessoa por dia. “Essa água deverá servir para beber e cozinhar”, conta o Agrônomo.

O engenheiro agrônomo explica que com o sistema de cisternas, a água coletada do telhado da residência por meio de calhas de PVC passa por um filtro, que em seguida escorre para um reservatório e, por fim, é encaminhada para a caixa d”água da casa com a ajuda de uma bomba elétrica, que antes de ser consumida ainda é passada por uma pós-filtragem e clorada.

A iniciativa de Samir foi bem-recebida e conquistou vários apoios, como o da Secretaria de Educação, do Ministério Público Estadual e da Universidade Federal de Mato Grosso. A implantação das cisternas é custeada por verbas provenientes de multas ambientais revertidas em projetos sociais relacionadas ao meio ambiente, repassadas pelo Juizado Volante Ambiental (JUVAM) com o apoio do Ministério Público Estadual. Cada sistema custa em média R$ 3,5 mil.

Para o uso coletivo, o projeto Barraginhas da Embrapa foi uma boa solução. Uma delas foi executada em 2011, no Projeto de Assentamento Rancho da Saudade. Sua implantação freia a degradação do solo e revitaliza mananciais, nascentes e córregos. No assentamento Sapiquá, outro exemplo, a instalação prolongou a umidade do solo na microbacia, aumentou o nível de água nas cacimbas que abastecem 150 famílias e a escola. A água de chuva captada do telhado foi a custo zero e tem boa qualidade para uso doméstico e atividades produtivas. A madeira utilizada na construção das barraginhas veio de doação da Justiça Estadual.

O projeto já foi notícia em diversos meios, como o Portal BrasilAgronotíciasCREA-MT, além do próprio Incra. Samir agora planeja realizar outros projetos, como a utilização de energia solar. Abaixo, estão disponíveis alguns materiais disponibilizados sobre do projeto.

Por KASSIO ALEXANDRE BORBA

Coordenador Executivo