Sábado, 22 de Junho de 2024

SindPFA vai, mais uma vez, ao Planejamento
Reunião solicitada pelo deputado Valmir Assunção teve participação do SindPFA

Desde o encerramento da mesa de negociações no Ministério do Planejamento, no fim de agosto, ainda que não tenha sido aprovada até hoje a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO 2014, a pasta não se comunicou com o SindPFA. Vários parlamentares, preocupados com o cumprimento de seus compromissos com o público rural, tem buscado interlocução com a titular do Planejamento, Miriam Belchior, na procura de uma solução para a carreira.

Sabe-se da intransigência desse governo, que não se reflete somente nas tratativas com as entidades representativas, como foi o caso do SindPFA, mas também com a própria base governista. A ministra não atendeu a nenhuma das solicitações realizadas a ela sobre o assunto.

Ao final da reportagem você verá alguns ofícios dos deputados Valmir Assunção, Jesus Rodrigues, Vander Loubet e Evandro Milhomen, aos quais o SindPFA teve acesso. As respostas a estes parlamentares tem sido para direcionar ao Secretário de Relações de Trabalho no Serviço Público, o “testa-de-ferro” Sérgio Mendonça, que, todos sabem, tem limitações dentro da pasta.

O deputado Valmir Assunção teve agenda marcada para ser atendido pelo secretário nesta quarta-feira, às 10h00. Devido a visita de Dilma no Congresso nesta quarta, porém, o deputado não pôde participar, visto que é vice-líder do PT na Câmara dos Deputados; enviando seu assessor Cristiano Tubino, já conhecedor da causa dos PFAs desde 2010, quando assessorava o ex-deputado Fernando Nascimento (PT-PE), o qual, àquela época, propôs emenda ao PL 5920/2009. Acompanhou ainda a greve de 2012, quando assessorava o deputado Marcon (PT-RS).

Por solicitação do deputado Valmir Assunção, o SindPFA foi convidado a participar, embora seja uma reunião restrita, não tendo havido sequer a possibilidade de fotografá-la. Por isso, foram ao encontro o Diretor Presidente Substituto do SindPFA, Sávio Feitosa (o Diretor Presidente Ricardo Pereira está de licença médica), e o PFA João Daldegan, também lotado na Sede do Incra. Mendonça os recebeu com seu assessor Borges.

Sávio e João trataram de atualizar o secretário das últimas ações realizadas pela categoria, como a entrega de cargos, que se iniciou imediatamente ao fracasso daquela mesa, bem como da atual campanha denunciando o “falecimento” da reforma agrária. Ressaltou que tais iniciativas são resultado da indignação da categoria com a intransigência governista.

Mendonça disse ser conhecedor da ação de entrega de cargos e do efeito que causou à administração do Incra. Citou que a ação foi replicada pelos Fiscais Federais Agropecuários, no ministério vizinho ao seu, o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. O assessor do deputado também já conhecia a campanha sobre a decadência da reforma agrária e já a ouvira no rádio.

Apesar do tom mais cordial da conversa (em relação aos acirramentos de agosto), Mendonça pautou mais uma vez suas limitações. Reafirmou que “o ciclo de grandes aumentos e reestruturações [por aquela mesa] se encerrou”. Falou que algo diferente só por uma decisão de governo, ou uma perspectiva possível, talvez a única, seria a de uma reestruturação que envolva a autarquia.

Numa fala no mínimo curiosa, ele disse que o serviço público federal tem uma “mesa de negociações” permanente, instaurada por este governo há 12 anos, sempre disposta a receber os servidores, situação que pode mudar se não acontecer em 2014 o que ele chamou de “Dilma2”, ao se referir à reeleição da atual presidente da República. Disse que num possível governo do PSDB isso não existiria e que não sabia se num possível Marina/Campos isso poderia existir. Enfim, isso foi dito entre outras falas já conhecidas de defesa do atual governo.

A reunião, como já se esperava, encerrou-se sem nenhum avanço prático na discussão da reestruturação salarial dos Peritos Federais Agrários, mas tendo sido útil para o momento do ponto de vista de reafirmar o descontentamento da categoria e em levar ao seu conhecimento a situação crítica do Incra.

Por KASSIO ALEXANDRE BORBA

Coordenador Executivo