Domingo, 18 de Abril de 2021

Projeto coordenado por PFA vence Prêmio ANA 2020
Voltada para a redução das crises cíclicas de falta de água no alto Pantanal mato-grossense, iniciativa é desenvolvida pelo Incra e parceiros e está em funcionamento desde 2009.

No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) venceu o Prêmio ANA 2020 na categoria Governo com o projeto “Implementação de Tecnologias Sociais e Educação Ambiental em Comunidades do Alto Pantanal Mato-Grossense”, coordenado pelo Perito Federal Agrário Samir Curi. Realizada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a premiação reconhece e valoriza as melhores práticas e iniciativas voltadas ao cuidado e gestão das águas do Brasil.

A cerimônia foi virtual e divulgou os ganhadores das categorias Comunicação, Educação, Empresas de Médio e de Grande Porte, Empresas de Micro ou de Pequeno Porte, Entes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), Governo, Organizações Civis, além de Pesquisa e Inovação Tecnológica.

Confira o vídeo com a premiação.

Sob a coordenação de Curi, o projeto é desenvolvido pelo Incra em Mato Grosso e parceiros e está em funcionamento desde 2009. O “Selo Prêmio ANA: Vencedor” atesta a qualidade do trabalho e o reconhecimento da excelência ambiental da iniciativa.

Para Samir a vitória representa o reconhecimento de um trabalho de uma década de atividades que conta com a colaboração de diversos outros profissionais da autarquia e entidades parceiras. “Para atendimento de água para a agricultura familiar, as soluções tradicionais sempre foram perfuração de poços artesianos, bombeamento de rios e utilização de  adutoras de 100 km a 200 km. Mas isso tem alto custo com energia, alto consumo animal (uma cabeça de gado adulto chega a ingerir 50 litros de água/dia) e falta de mão de obra qualificada para gerenciar uma ETA (estação de tratamento água) na zona rural. Eu percebi que a solução não poderia ser a mesma utilizada na área urbana. O uso é distinto, o custo é distinto. Então comecei  a estudar no mundo inteiro alternativas mais sustentáveis, como por exemplo as cisternas, e  o projeto iniciou em 2009”, explica. Outro ponto forte do projeto foi a visão global da questão, que vai além da segurança hídrica. “Você tem que trabalhar com educação, com o ciclo hidrológico, fazer um trabalho de geração de renda, enfim, ir além tentando atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável”, conclui.

O Sindicato Nacional dos Peritos Federais Agrários (SindPFA) parabeniza o PFA e sua equipe pelo reconhecimento ao belo trabalho desenvolvido. Antes, o Sindicato já havia divulgado o projeto em 2014 e, mais recentemente, em 2018, quando venceu o Prêmio A3P Melhores Práticas de Sustentabilidade (leia mais ao fim do texto).


Redução de crises cíclicas

O projeto “Implementação de Tecnologias Sociais e Educação Ambiental em Comunidades do Alto Pantanal Mato-Grossense” está conseguindo bons resultados na redução das crises cíclicas de falta de água para atividades escolares e para a produção da agricultura familiar da região.

Conhecido pela fartura de água, com a imagem exuberante de rios, lagos e lagoas, o Pantanal Mato-Grossense sofreu grandes queimadas nos últimos anos e enfrenta uma de suas piores secas. Com isso, a segurança hídrica tornou-se uma prioridade na microrregião do Alto Pantanal.

Principalmente de maio a outubro, quando a seca dura em média seis meses, os corixos (pequenos lagos formados na época das chuvas) podem sofrer contaminação, enquanto a captação subterrânea é difícil, devido à profundidade do lençol freático, havendo apenas água salobra.

O projeto do Incra/MT buscou resolver o problema com alternativas ambientalmente sustentáveis: foram selecionadas e implementadas diversas tecnologias sociais sustentáveis, como captação da água da chuva, cisternas, barraginhas da Embrapa, lago de uso múltiplo, biofossa e reservatório para piscicultura.

Para conhecer mais detalhes, leia artigo publicado por Samir Curi no portal Olhar Direto.


Resultados

As tecnologias sociais sustentáveis implementadas de forma integrada estão sendo fundamentais para a agricultura familiar e para o meio ambiente da região, visto que cada uma contribui para uma determinada solução.

Os dados do Incra/MT apontam que, entre 2009 e 2018, foram atendidos sete assentamentos na região do Alto Pantanal. Cerca de 360 famílias e 500 alunos de duas escolas do campo no município de Cáceres (MT) também se beneficiaram.

“Esta premiação reconhece que as tecnologias sociais implantadas estão conduzindo a resultados sustentáveis, em especial no acesso à água, no aumento de renda na agricultura familiar e na diminuição do êxodo rural. Mas, para essa transformação continuar, é fundamental incluir todas essas tecnologias sociais na educação escolar e comunidade, para que a próxima geração tenha novos conceitos ambientais e prossiga a mudança”, considera o engenheiro agrônomo.


Segundo Prêmio

Com o Prêmio ANA 2020, o projeto “Implementação de Tecnologias Sociais e Educação Ambiental em Comunidades do Alto Pantanal Mato-Grossense” alcança seu segundo reconhecimento. Em 2018 ganhou o primeiro lugar do 7º Prêmio Melhores Práticas A3P, realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). 

A iniciativa é fruto de parceria firmada entre o Incra/MT, o Juizado Volante Ambiental de Cuiabá (Juvam Cuiabá), a Justiça Federal de Cáceres, a Justiça Estadual de Cáceres, o World Wildlife Fund (WWF), o Consórcio Nascentes do Pantanal (São José dos Quatro Marcos), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), a Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT), a Prefeitura de Cáceres, a secretaria estadual de Educação (Seduc-MT), o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério Público Federal (MPF).

* Com informações da Ascom/Incra